sexta-feira, 28 de maio de 2010

Queen - Um Bigode que fez toda a diferença!

As duas faces da Rainha: Artigo de opinião sobre a obra dos Queen

Começo pelo seguinte: Dizer á partida que não gostamos de um disco apenas por ser demasiado comercial e vender muitas cópias, não é um juízo correcto. Um disco, para merecer tal estatuto, possui certamente qualidades que o tornam apelativo a um grande número de pessoas e esse facto não deve ser desprezado. Podemos, isso sim, após o termos ouvido, concluir que não gostamos dele e essa conclusão deve partir da nossa apreciação pessoal e nunca baseada apenas naquilo que ouvimos dizer. Este é um artigo de opinião sobre a obra dos Queen, que divido em duas fases: o período entre 1973/1979 e o período entre 1980/1991. O segundo corresponde á consagração global dos Queen e, não por acaso, eu aprecio mais o primeiro.

Como toda a gente deste fórum, tomei conhecimento dos Queen através dos seus Hiper-Mega êxitos, mas a grandeza desta banda pode também ser medida pelas pérolas que não figuram nos seus Greatest Hits e que são bem capazes de surpreender a maioria das pessoas!

Lançado em 1973, o primeiro álbum "Queen" , não foi de todo um sucesso, mas continha já uma ideia dos predicados desta que era uma banda de Rock, mas diferente das demais que pululavam por toda a velha Albion . Temas como Keep Yourself Alive e Liar eram duros e apelativos, mas não conseguiram furar os Tops . Um ano depois, o segundo álbum, "Queen II" , apesar de continuar a senda de insucesso, foi uma declaração de intenções por parte da banda: Não obstante a sua curta duração, é uma obra massiva, onde a máxima Less is More não cabe. As pistas disponíveis em estúdio não pareciam ser suficientes e deve ter sido um pesadelo para o produtor. Múltiplas camadas de vozes, várias mudanças inesperadas dentro do mesmo tema, aquele som de guitarra único multiplicado por cem...Não gerou sucessos e sofreu de uma certa dispersão criativa, mas hoje, figura sempre na lista dos mais significativos discos dos Queen. Vale mesmo a pena ouvir a The March of The Black Queen.

Como era hábito na altura, o próximo disco saiu logo no final desse mesmo ano e funcionou como a chave que lhes abriu a porta para o sucesso, via um single estranho e inesperado chamado Killer Queen . Mais focado, variado e surpreendente, o álbum "Sheer Heart Attack" foi um sucesso. Continha malhas de rock pesado (Brighton Rock, Stone Cold Crazy, Now i´m here), ao lado de músicas de cabaret burlesco como Bring Back that Leroy Brown !

Entre 1975 e 1976, os Queen consolidariam o seu sucesso com aqueles que considero os seus melhores álbuns e que, na minha opinião, devem ser ouvidos como um todo: "A Night at The Opera" e "A Day at the Races". Estes Queen são únicos e não encontram pares dentro do panorama musical da altura. Sobre a Bohemian Rhapsody , estamos conversados. É um clássico absoluto. Eles movem-se com desenvoltura pelo Rock, pela Pop e por desvarios operáticos, sem nunca caírem em facilitismos e simplicidade. Tudo isto, sem perderem o rumo. Se virem o Making of do "A Night at..." ficarão assustados com as camadas de instrumentos e vozes que uma canção conseguia ter!

Destes dois discos saíram a Bohemian, a Love of My Life, a Somebody to Love , a Tie Your Mother Down ... mas quero salientar aquele que para mim é o mais belo momento de Freddie Mercury, em todo o seu esplendor e que não figura nos Greatest Hits: You take My Breath Away . Um sonho.

"News of the World", de 1977, seria um disco um pouco estranho, principalmente pelos pouco ortodoxos dois primeiros temas, que de uma só assentada, seriam clássicos eternos com uma dimensão imensurável: We Will Rock You e We Are the Champions . Ao seu lado, duas malhas de Rock pesadão: Sheer Heart Attack e It's Late. "Jazz" de 1978, seria o princípio do fim dos Queen desafiadores e experimentais, os meus preferidos. Começa com uma exótica Mustapha e produziria grandes êxitos como a Don't Stop Me Now, Fat Bottomed Girls a ou a Bicycle Race.

Com o mercado Britânico aos seus pés, os Queen queriam agora chegar ao mais difícil, vasto e apelativo mercado Americano. Para isso, seria necessário mudar de estratégia. Uma mensagem, para chegar a um grande número de pessoas, deve ser o mais objectiva e concisa possível e foi essa a direcção que eles tomaram. Após o disco ao vivo "Live Killers" e a banda sonora de "Flash Gordon", surgia em 1980, um álbum chamado "The Game". Another one Bites the Dust (Funk) e Crazy Little Thing Called Love (Rockabilly), simples e eficazes, conquistaram imediatamente os ouvintes Americanos!

O disco seguinte, "Hot Space" , uma abordagem Funk pouco compreendida pelos fãs, seria salvo pelo Mega-Hit Under Pressure , o célebre dueto de Freddie com David Bowie.

É nesta altura que Freddie Mercury adopta a sua imagem mais famosa com aquele característico bigode, que eu costumo usar como a barreira de divisão entre os meus Queen Preferidos e os que já não aprecio tanto. Sim, isso mesmo: Um bigode como Benchmark , lol!

Dois anos depois, em 1984, "The Works" com temas como Radio Ga Ga , I Want To Break Free e Hammer to Fall colocaria definitivamente a banda num patamar de colossos do qual não mais sairiam. Deixariam de lado as canções complexas e desafiantes para se concentrarem em êxitos adequados a serem cantados por estádios a abarrotar por esse mundo fora. Apesar de ser a sua época mais famosa, não são estes os Queen de que mais gosto, embora tenham merecido essa consagração.

O resto é história. O Live Aid , a Magic Tour de 1986, uma mão cheia de êxitos, a morte de Freddie e a consequente sucessão de lançamentos desnecessários e reuniões mal conseguidas, que em nada dignificaram aquela que é a banda do coração de milhões de fãs por todo o mundo. O epitáfio perfeito teria sido mesmo o último e brilhante álbum gravado pela banda, "Innuendo" .

É grande o legado deste grupo de quatro grandes músicos e compositores, dos quais destaco um som de guitarra inconfundível entre todas as guitarras e a memória de uma voz imortal e de um brilhante condutor de multidões, como poucos o foram. É caso para dizer God Save The Queen.


1 comentário:

  1. Muito bom texto :D

    Eu não tenho fase favorita dos Queen, mas tenho álbuns favoritos: «Night at the opera», dos quais destaco a monumental «Bohemian raphsody», «Death on two legs», «Love of my life», «'39» e «The prophet's song».

    «A day at the races» é também uma grande peça (que como tu acho que este e o álbum anterior que falei deviam ser um só, até o próprio Freddie dizia que deviam ter lançado os dois álbuns ao mesmo tempo).

    Gosto muito do «News of the world», por ser um disco não muito "à la Queen", mas não sendo por isso que deixa de ser uma grande obra, e gostava de destacar deste álbum não só os dois grandes êxitos «We will rock you» e «We are the champions», mas também «Spread your wings» e «It's late», esta última faz-me lembrar música mexicana.

    Outro álbum que também gosto muito é o «The works», e com ele, os Queen voltaram às suas raízes rockeiras. Este álbum, além dos dois grandes êxitos «Radio GaGa» e «I want to break free», possui outras três grandes músicas, «Tear it up», «It's a hard life» e «Is this the world we created...?»

    Para terminar, outro álbum que gostava de destacar é o glorioso «Innuendo», o último editado com Freddie Mercury ainda entre nós, com músicas tão poderosas como fantásticas, como é o caso de «The show must go on», «Headlong» e «These are the days of our lives». Um álbum com que esse grande nome da história do Rock findou a sua grande vida e carreira musical.

    Cumprimentos

    Rui Sousa

    www.companhiadasamendoas.blogspot.com

    ResponderEliminar